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Comunicação Não Violenta - Parte II: erros de comunicação mais comuns

Foto do escritor: Caroline Ikier
Caroline Ikier
há 6 dias
3 min de leitura

Atualizado: há 5 dias



Na última edição do Jornal do Leonor, falamos sobre a parte I deste tema: “Como o ato de falar melhor pode transformar relacionamentos e evitar conflitos.” Dando continuidade, conversamos com o fonoaudiólogo Paulo Bruni, que nos traz uma visão interessante sobre porque cometemos algumas falhas de comunicação, especialmente com as pessoas que mais amamos. Confira abaixo:


Quais são os erros de comunicação mais comuns que você observa no dia a dia entre casais, familiares, amigos ou colegas de trabalho?


Os erros de comunicação mais comuns geralmente não acontecem por má intenção. Mas, por interpretações diferentes, emoções intensas, hábitos adquiridos e suposições, sendo que alguns dos mais frequentes são: ouvir para responder, e não para compreender, fazer suposições, presumindo o que a outra pessoa quis dizer, pensou ou sentiu sem perguntar. Confundir observações com julgamentos. Generalizar, usando expressões como "você sempre..." ou "você nunca...". Interromper constantemente a fala do outro, transmitindo desinteresse ou falta de respeito, mesmo quando essa não é a intenção. Não expressar claramente necessidades e expectativas, esperando que o outro "adivinhe" o que se deseja, causando uma fonte frequente de frustração. Misturar fatos com emoções, usar um tom incompatível com a mensagem. Responder sob forte emoção. Não pedir esclarecimentos. Falta de empatia, quando se ouve apenas o conteúdo da fala, ignorando os sentimentos e as necessidades que podem estar por trás dela e escolher o momento inadequado para uma conversa. 

A Comunicação Não Violenta (CNV) destaca que muitos conflitos surgem porque as pessoas tendem a:

  • julgar em vez de observar;

  • culpar em vez de assumir seus próprios sentimentos;

  • exigir em vez de fazer pedidos claros e 

  • defender-se em vez de ouvir com curiosidade.


Por que conflitos acontecem com tanta frequência, mesmo entre pessoas que se amam ou se respeitam?


Segundo a teoria da CNV, muitos desentendimentos entre pessoas que se amam e se respeitam não acontecem por falta de amor, mas pela forma como elas se comunicam, pois por trás de quase todo conflito, existe uma necessidade importante que não foi compreendida ou atendida.


A CNV não garante que todos os conflitos desapareçam. Ela propõe uma mudança de foco: sair da disputa sobre quem está certo ou errado e tentar compreender o que cada pessoa está sentindo e o que precisa naquele momento. Essa mudança de perspectiva aumenta as chances de um diálogo respeitoso, mesmo quando há desacordo.


A Comunicação Não Violenta nos lembra que a qualidade dos nossos relacionamentos depende menos da ausência de conflitos e mais da forma como escolhemos enfrentá-los. Em vez de buscar culpados, ela nos convida a cultivar a escuta, a empatia e a clareza ao expressar sentimentos e necessidades.


Como destaca o fonoaudiólogo Paulo Bruni, comunicar-se vai muito além das palavras: envolve intenção, acolhimento e disposição genuína para compreender o outro. Pequenas mudanças na maneira como ouvimos e falamos podem transformar conversas difíceis em oportunidades de aproximação, fortalecendo vínculos familiares, amizades e relações de trabalho.

Se você ainda não leu a parte I, busque pela matéria divulgada no dia 31/01/2026. Na próxima edição, continuaremos essa conversa explorando outros aspectos da Comunicação Não Violenta e mostrando como seus princípios podem ser aplicados nas situações do cotidiano, tornando nossos diálogos mais conscientes, respeitosos e humanos.


Paulo César Bruni

Fonoaudiólogo

CRFa (Conselho Regional de Fonoaudiologia) - 2a Região (SP) 6236

Formado em Fonoaudiologia pela PUCCAMP (Campinas) e com Especialização em Audiologia pela UNIFESP - EPM (Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina) (São Paulo).



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